Antes de começar a escrever esta crítica dei uma olhada rápida para ver o que se fala desse filme nos sites de cinema. Fiquei surpreso em ver o quanto ele é aclamado. Não merecia tanto, na minha opinião.
Cisne Negro tem muitos pontos positivos. Os destaques são para a narração, que consegue com sucesso criar um suspense com a mistura da realidade com as alucinações da protagonista, e para a atuação da Natalie Portman.
Todavia, a meu ver não há nada de sensacional na história.
Nina é apresentada como uma bailarina, obcecada pela perfeição, que tem alguma dificuldade em lidar com sua mãe controladora e que está submetida a uma difícil situação de concorrência entre as bailarinas da companhia. No decorrer da história, a personagem vai revelando traços que modificam a primeira impressão. Nina se mostra, no fim das contas, uma pessoa extremamente insegura, despreparada para lidar com a concorrência e ainda por cima com alguns problemas éticos. São essas as minhas conclusões e explico já partindo de todas as informações que são desveladas no final do filme.
A concorrência sofrida pela personagem é em sua maioria fruto de sua própria imaginação. Ela não tem concorrentes que apresentam um desempenho melhor que o seu e aparentemente está agradando o diretor do espectáculo (são publicados cartazes que indicam Nina como a bailarina principal, o que deveria lhe dar uma certa tranquilidade quanto à garantia de seu lugar). Entretanto, ela é dominada por uma insegurança, que resulta numa paranóica alucinação de que sua colega Lilly está disposta a trapaças para tomar seu lugar. Não fica claro se na realidade Lilly está de fato tentando ajudar Nina (e dar-lhe uns pegas), mas esta a vê como uma terrível adversária. Ao invés de intensificar os treinos e tentar realmente ficar impecável, Nina se perde em seu trabalho, apresentando algumas atitudes antiprofissionais (como “embriagar-se” numa véspera de ensaio). Ao receber a notícia de que Lilly seria sua suplente, Nina tenta jogá-la para escanteio, primeiro pedindo sua exclusão perante o diretor e depois efetivamente a matando (ou pela menos acreditando estar fazendo isto). Neste momento, fica claro que a preocupação de Nina é meramente narcísica. A protagonista não é, realmente, uma artista obcecada pela perfeição, mas uma garota um tanto infantil querendo a qualquer custo os holofotes, talvez para tentar provar alguma coisa à mãe.
No fim das contas, Nina não feriu à sua adversária, mas a si própria (e apesar do figurino branco, misteriosamente ninguém percebeu a mancha de sangue). Assim, terminou por dar a vaga à sua concorrente, que certamente estava melhor preparada para ocupá-la.
Acho curioso que alguns descreveram a história de Nina como a trajectória de um amadurecimento artístico, pois para mim tudo o que lhe faltou foi maturidade.
Acredito que, de certa forma, a protagonista se mostra uma antítese de uma figura muito comum no cinema que é a da pessoa batalhadora que se submete a situações muito difíceis e que termina por vencer. É o caso de Rocky Balboa, por exemplo. A personagem Nina seria mais interessante se, mesmo apesar de um fracasso, soubesse se levantar. Mas, Nina é a criança que não sabe perder.
Apesar de tudo isso, caro leitor, o filme tem seus méritos e vale a pena assisti-lo.
